Mês: julho 2026

Novo Plano Diretor de Balneário Camboriú leva verticalização para além da orla

Município catarinense quer criar corredores de uso misto, ampliar habitação e hotelaria e arrecadar mais R$ 1 bilhão em outorgas nos próximos seis anos

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, prepara um novo Plano Diretor para estimular o desenvolvimento urbano além das primeiras quadras da praia, hoje marcadas por arranha-céus de alto padrão. A proposta reduz restrições de altura em outras áreas e cria corredores com comércio, serviços, espaços de convivência e apartamentos menores. O objetivo, segundo reportagem do Metro Quadrado, é ampliar a oferta para moradores e trabalhadores que não conseguem acessar os preços praticados na orla.

Outorgas financiam expansão urbana

A estratégia mantém a construção civil como fonte central de arrecadação municipal. Desde 2010, a prefeitura estima ter recebido R$ 1 bilhão em outorgas pagas por incorporadoras. A projeção é arrecadar mais R$ 1 bilhão nos seis anos após a implementação do novo plano. Os recursos deverão financiar escolas, creches, unidades de saúde e serviços necessários a uma cidade que cresceu 28% entre 2010 e 2022 e tem 140 mil habitantes.

Novos corredores poderão chegar a 150 metros

Nos eixos de desenvolvimento, o potencial construtivo poderá atingir quatro ou cinco vezes a área do terreno, com coeficiente básico dois e aquisição adicional por outorga. Os gabaritos deverão variar entre 120 e 150 metros. Na região central e na orla, a prefeitura decidiu preservar a possibilidade de edifícios mais altos mediante pagamento. A ideia é manter espaço para projetos de grande escala.

Uso misto busca recuperar oferta hoteleira

O plano também tenta reativar a hotelaria, reduzida após a demolição de empreendimentos para construção de residenciais de luxo. Projetos mistos, com unidades residenciais e hoteleiras, ganharão condições mais favoráveis em terrenos de maior porte – acima de 2,5 mil m² na área central e de 3 mil m² nos novos corredores. A combinação de moradia, comércio e hospedagem deverá funcionar como contrapartida à verticalização, mas exigirá planejamento para evitar sobrecarga da infraestrutura.

Fonte: Nathalia Costeira – Editora da newsletter do Portas – www.portas.com.br