Mês: julho 2026

Reforma tributária: CNPJ para locadores fica para 2027

Prorrogação dá mais tempo para pessoas físicas se adaptarem à emissão fiscal dos novos tributos sobre consumo criados pela reforma tributária

A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS e da CBS prorrogaram para 1º de janeiro de 2027 a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ para pessoas físicas que precisarem emitir documentos fiscais sobre o consumo. Até lá, proprietários com imóveis alugados poderão seguir usando o CPF como identificador fiscal.

A mudança faz parte da reforma tributária, que implementa o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Os novos tributos sobre operações de consumo substituem parcialmente PIS e Cofins e passam a exigir documentos fiscais eletrônicos.

CNPJ será cadastro, não empresa

Advogados tributaristas reforçam que a inscrição no CNPJ servirá para identificação e emissão fiscal. Ela não significa abertura de empresa nem altera automaticamente a condição jurídica do locador, que continuará sendo pessoa física quando não optar por uma estrutura empresarial.

Guillermo de Toledo Piza Kam-Chings, do Fabio Kadi Advogados, resume que o número cadastral apenas permite emitir a nota fiscal do IBS e da CBS no sistema eletrônico. Quem não se enquadrar nos critérios de obrigatoriedade seguirá usando o CPF normalmente.

Carga tributária não muda com o cadastro

A abertura do CNPJ cadastral não reduz impostos. Pessoas físicas com imóveis alugados continuam sujeitas ao Imposto de Renda pela tabela progressiva, com alíquota de até 27,5%. Já IBS e CBS incidem sobre a operação de consumo e, na locação, tendem a ser repassados ao inquilino conforme contrato.

A diferença aparece quando o proprietário decide constituir uma holding patrimonial. Nesse caso, a tributação passa a seguir regras empresariais, com IRPJ e CSLL, e pode chegar a uma alíquota efetiva entre 9,5% e 12,7%, ante cerca de 30% na soma de IRPF, IBS e CBS para pessoa física, conforme os especialistas citados.

Contratos e plataformas exigem atenção

Durante 2026, pessoas físicas ainda poderão emitir documentos de teste com destaque simbólico das alíquotas-teste de 0,1% de IBS e 0,9% de CBS. A partir de 2027, o CNPJ será necessário para emitir notas fiscais com os campos dos novos tributos preenchidos.

Os especialistas também recomendam revisar contratos de locação para prever o repasse de IBS e CBS e evitar conflitos futuros. Em locações residenciais de até 90 dias, como as feitas por plataformas de curta temporada, a atividade é equiparada à hotelaria, com redução de alíquota de 40%, e não se aplica o redutor social das locações residenciais comuns.

fonte: Portal Portas – Nathalia Costeira

Novo Plano Diretor de Balneário Camboriú leva verticalização para além da orla

Município catarinense quer criar corredores de uso misto, ampliar habitação e hotelaria e arrecadar mais R$ 1 bilhão em outorgas nos próximos seis anos

Balneário Camboriú, em Santa Catarina, prepara um novo Plano Diretor para estimular o desenvolvimento urbano além das primeiras quadras da praia, hoje marcadas por arranha-céus de alto padrão. A proposta reduz restrições de altura em outras áreas e cria corredores com comércio, serviços, espaços de convivência e apartamentos menores. O objetivo, segundo reportagem do Metro Quadrado, é ampliar a oferta para moradores e trabalhadores que não conseguem acessar os preços praticados na orla.

Outorgas financiam expansão urbana

A estratégia mantém a construção civil como fonte central de arrecadação municipal. Desde 2010, a prefeitura estima ter recebido R$ 1 bilhão em outorgas pagas por incorporadoras. A projeção é arrecadar mais R$ 1 bilhão nos seis anos após a implementação do novo plano. Os recursos deverão financiar escolas, creches, unidades de saúde e serviços necessários a uma cidade que cresceu 28% entre 2010 e 2022 e tem 140 mil habitantes.

Novos corredores poderão chegar a 150 metros

Nos eixos de desenvolvimento, o potencial construtivo poderá atingir quatro ou cinco vezes a área do terreno, com coeficiente básico dois e aquisição adicional por outorga. Os gabaritos deverão variar entre 120 e 150 metros. Na região central e na orla, a prefeitura decidiu preservar a possibilidade de edifícios mais altos mediante pagamento. A ideia é manter espaço para projetos de grande escala.

Uso misto busca recuperar oferta hoteleira

O plano também tenta reativar a hotelaria, reduzida após a demolição de empreendimentos para construção de residenciais de luxo. Projetos mistos, com unidades residenciais e hoteleiras, ganharão condições mais favoráveis em terrenos de maior porte – acima de 2,5 mil m² na área central e de 3 mil m² nos novos corredores. A combinação de moradia, comércio e hospedagem deverá funcionar como contrapartida à verticalização, mas exigirá planejamento para evitar sobrecarga da infraestrutura.

Fonte: Nathalia Costeira – Editora da newsletter do Portas – www.portas.com.br